A História da Rita

Tinha 22 anos quando descobri a AIESEC, estava no meu último ano de faculdade e apaixonei-me pela ideia de desenvolver-me e fazer a diferença no Mundo, mas senti que talvez fosse tarde demais para me juntar à organização como membro.  

O começo da aventura … na Índia

Decidi então participar no programa Global Citizen e ir para a India durante 6 semanas, inserida num projecto de Educação com crianças. Durante essas 6 semanas tudo mudou … a minha perspetiva do mundo, daqueles que me rodeavam, mas acima de tudo a perspetiva que tinha de mim mesma, no que me tornei e naquilo que queria fazer da minha vida.

Regresso a Portugal, juntar-me à organização e Jordânia

O regresso a Portugal não foi nada fácil, o choque cultural foi enorme e demorei algum tempo a voltar a sentir-me em casa no meu próprio país, falar português, estar com os meus amigos, no fundo regressar aos meus velhos hábitos.

Quando regressei da Índia mudei de ideias e decidi então juntar-me à AIESEC como membro, e embora estivesse a iniciar o meu mestrado em Direito Internacional, decidi que aquela era a altura certa para juntar-me à organização, tendo a possibilidade de providenciar várias experiências iguais há que tive. Essa decisão viria a mudar tudo na minha vida!

Dos quatro fantásticos e intensos anos que passei na AIESEC, foram no entanto os últimos dois que verdadeiramente me ensinaram o que eram os conceitos de liderança, sacrifício e felicidade. Posso dizer que os dois anos que passei no Médio Oriente, mais concretamente na Jordânia, tornaram-me naquilo que sou hoje, mudaram as minhas crenças e fizeram-me perceber que tudo na vida é relativo.

Se há uma palavra que possa descrever este período passado na direcção da AIESEC na Jordânia, essa palavra é desafio. Na Jordânia tudo parecia-me tão diferente e difícil, mas ultrapassar esses desafios, trouxe-me um sentimento de realização e alegria que até aí nunca tinha sentido na minha vida.

Até embarcar neste desafio conhecia muito pouco sobre o Médio Oriente, o povo árabe ou sobre a religião muçulmana. Desse modo, fui surpreendida diariamente no início da minha experiência. Tudo parecia fantástico e estranho ao mesmo tempo. Passei os primeiros seis meses a adaptar-me a uma nova cultura, não só na minha vida pessoal e social, mas especialmente no panorama profissional. Gerir uma ONG na Jordânia é completamente diferente de geri-la em Portugal, por isso senti que nestes primeiros meses cometi erros atrás de erros.

Entendi por isso que se queria desenvolver as minhas capacidades de liderança, tinha de primeiro, adaptar-me totalmente ao país e à cultura e assim o fiz. No próximo ano e meio, tentei “tornar-me” numa jordana, ou pelo menos sentia-me como uma, e ainda sinto por vezes …

A Jordânia acolheu-me de braços abertos e mostrou-me que não existia razão nenhuma para não fazer o mesmo e dessa forma, integrar-me totalmente na realidade daquele país. Nestes dois anos aprendi imenso sobre a sua cultura, jejuei no Ramadão, comecei a beber imenso chá, fumei shisha, aprendi o básico de árabe, tornei-me fã da fantástica gastronomia do Médio Oriente e aprendi a gerir um grupo de locais, tentando em primeiro lugar compreender as suas histórias, as suas vidas, ganhando desta forma uma perspetiva completamente diferente do Mundo.

Depois de dois anos na Jordânia posso afirmar com segurança, que esta experiência de liderança mudou tudo na minha vida. O que me impactou mais foi ver um grupo de pessoas a aproveitar a AIESEC como oportunidade para crescerem, desenvolverem-se a si mesmas, pessoas que serão seguramente os líderes do futuro daquele país.

Regresso a Portugal e o meu futuro

Depois desta experiência super intensa, voltar a Portugal e tentar explicar que o Médio Oriente não são só conflitos armados e que a sua população é super pacífica e acolhedora não foi totalmente fácil.

Após esta experiência tornei-me numa pessoa muito mais consciente, não só do que se passava há minha volta mas também das minhas capacidades. Após estes quatro anos na AIESEC, sinto que quero dedicar a minha vida ao serviço daqueles que me rodeiam, através de acções diárias que tenham um impacto positivo na vida dos outros.

Aprendi que a felicidade dos outros origina a minha própria felicidade e que devo garantir que aqueles que se cruzam comigo, são felizes, pois recuso-me a viver uma vida em que não possa fazer de algum modo a diferença … e ser feliz!

 

 

Rita Ventura
Presidente AIESEC Jordânia 14.15
Responsável de Comunicação e Recursos Humanos AIESEC Jordânia 13.14
Diretora Recursos Humanos AIESEC in NOVA 12.13

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