“Uma das melhores experiências que já tive”

Já alguma vez pensaste em fazer um estágio de voluntariado? O que a Inês Xavier te tem a dizer sobre isso é “força, faz!”. E porquê? Porque ela própria já o fez.

Foi no verão passado que a Inês, estudante de Engenharia Informática, de 20 anos, pensou que lhe faltava algo e que não se sentia completa. “Pesquisei na internet literalmente ‘o que fazer no verão –voluntariado’”, conta.  E, passado um mês, lá estava ela, de malas feitas, rumo à Bósnia. Um destino que, inicialmente, parece ter sido escolhido um pouco à sorte e numa tentativa de conjugar um estágio de voluntariado com aquele que é o seu curso superior, rapidamente a encantou – “a cidade de Sarajevo é espetacular!”.

É inevitável criar expectativas; ou será que não? “Eu normalmente vou com o mínimo de expectativas possíveis, para não me desiludir”. E mesmo sem estar à espera, a experiência superou, em muito, aquilo que imaginava que iria ser. O acompanhamento e o apoio que recebeu por parte dos membros da AIESEC da Bósnia ajudou-a a adaptar-se a um país que lhe era estranho e a uma cultura à qual não estava habituada.

Foi trabalhar como voluntária no Museu Tunnel of Hope. E com ela mais seis pessoas – “Nós eramos um grupo de sete pessoas a trabalhar no museu. Dávamo-nos todos muito bem. Havia posições diferentes: dois web designers, pessoas em marketing e project management. Era um museu da guerra. A casa, que é o próprio museu, é muito antiga, mas o museu em si é recente”.

Mas não foi só trabalho! Também houve tempo para passear e conhecer as pessoas e o país. “Na casa estava eu, que era de Portugal, um da Turquia, dois do Bahrain, três da Grécia e uma do Canadá. Nós dávamo-nos todos mesmo muito bem e ficámos super unidos. Não houve muito choque entre as culturas diferentes. São culturas muito diferentes, sim, mas fomos partilhando”.

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Não há qualquer dúvida de que são inúmeras as diferenças entre este país e Portugal: a cultura, a gastronomia, a arquitetura e a história, por exemplo. Na Bósnia, existem várias religiões distintas, sendo que muçulmanos, ortodoxos e católicos “coexistem todos na mesma cidade, e dão-se bem”. Mesmo existindo católicos, estes estão em minoria. A Inês relembra um momento que a marcou, pois nunca tinha visitado um país muçulmano, pelo que também nunca tinha experienciado tal situação: “nós vivíamos perto de uma mesquita, então ouvíamo-los todos a chamar para rezar. Por vezes ouvia-se o eco, porque aquilo é tudo montanhas”. Outra diferença está também no tempo; as chuvas, tempestades, e, embora durante menos dias, muito calor, não se assemelhavam em nada ao clima mediterrânico do nosso país. Haverá, então, e no meio de tantas diferenças, alguma semelhança entre a Bósnia e Portugal? Sim – “as parecenças estão nas pessoas, que são muito hospitaleiras.”

Como todas as viagens, e ainda para mais uma viagem como esta, existem momentos bons e outros não tão bons. Para a Inês, o mais complicado ao longo das seis semanas foi ter ido para lá como voluntária em web design e não ter feito efetivamente isso. Contudo, este problema foi facilmente resolvido quando ajudou os restantes colegas nos seus próprios projetos. Mesmo assim, os melhores momentos, e que a Inês leva consigo desta experiência e que relembra com carinho, estão definitivamente em maioria. “O nosso objetivo era promover o museu. Nós íamos com t-shirts para a rua, com publicidade ao museu, e íamos falar com os turistas para eles o visitarem. Nas t-shirts estava escrito ‘ask me about Tunnel of Hope’. E muita gente parava e falava connosco, mesmo pessoas da Bósnia, porque ficavam tão contentes por nós, estrangeiros, irmos para lá ajudar. Pediram-nos para tirar fotografias com eles. No final, tivemos uma cerimónia de encerramento. Enquanto estamos lá parece que não fazemos grande diferença. Mas no final, a nossa chefe disse-nos que se notou a diferença e muita gente foi visitar o museu por causa da nossa promoção. Fiquei muito contente, porque pelo menos uma pessoa foi visitar o museu por nossa causa. As viagens também foram dos melhores momentos. Fomos a Montenegro e Mostar, uma cidade na Bósnia, muito pequenina, conhecida pela ponte. Eu fui para lá sem noção do que era a Bósnia. Quando cheguei, fiquei mesmo surpreendida, porque aquilo é realmente bonito”.

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Experiência terminada! O balanço foi, claramente, positivo. Como a própria Inês diz, “só o facto de ter feito alguma coisa que para mim, pelo menos, há meio ano parecia impossível. Se me perguntassem acho que me ria – eu ir para a Bósnia durante seis semanas? Nunca. E depois a experiência que lá tive, as pessoas que conheci e as coisas que eu fiz, e o impacto que afinal o nosso trabalho teve, por muito pequeno que seja”.

Esta história é a da Inês, mas a próxima pode ser tua. Não percas a oportunidade de viver uma experiência nova, estar em contacto com culturas diferentes e, simplesmente, fazer algo que ainda não tenhas feito – criar a tua própria história e as tuas próprias memórias!

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