Voluntariado no Camboja – a história de 3 amigas

Já pensaste em fazer um voluntariado internacional? A Inês, a Beatriz e a Laura decidiram ensinar inglês numa escola este verão… no Camboja! Esta é a sua história.

Este verão a Inês, a Beatriz e a Laura foram ensinar inglês a jovens entre os 3 e os 19 anos para a Bright Life Foreign Language School, no Camboja, e na sua última semana de experiência relembram as razões que as trouxeram ao outro lado do mundo, do impacto que sentem que tiveram e na forma como o Camboja as impactou.

A Inês tem 20 anos e estuda Gestão na Portucalense. A Beatriz tem 20 e frequenta o curso de Ciências Farmacêuticas na FFUP. E a Laura tem 19 anos e está no 3º ano de Economia na FEP. Apesar dos diferentes backgrounds as 3 escolheram o sul asiático para fazer voluntariado pelos mesmos motivos: desafiarem-se e conhecer um país cuja cultura e quotidiano sempre lhes cativou conhecer. Conhece a história das 3 e de como as mesmas se cruzaram no Camboja.

Olá meninas, porque é que decidiram escolher um projeto ao abrigo do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 4, Educação de Qualidade?

Inês: O Camboja é um país em construção, pois passou por uma guerra civil há relativamente pouco tempo. Foi há pouco mais de 40 anos, e ainda hoje se refletem as consequências disso.  80% da população é jovem, pelo que há falta de profissionais formados. Considerando a educação uma base fundamental para a progressão deste país, a escolha foi fácil.

Beatriz: Eu escolhi-o por acreditar que a falta de educação é a razão basilar de muitos outros problemas que se verificam em grande escala neste país, como o casamento jovem, a desigualdade de género e homofobia.

Laura: O país está mal em muitos aspetos, a nível de educação e a nível ambiental, por exemplo, por isso mesmo achei que conseguia ter um maior impacto com um projeto relacionado com o ODS nº 4. E mesmo estando a trabalhar para o mesmo, nós vamos dar na última semana uma aula de consciencialização para os problemas ambientais.

Inês a ensinar inglês a alunas da Bright Life Foreign Language School , Camboja

O choque cultural foi muito grande?

Beatriz: Sim, o choque cultural no primeiro dia que chegámos ao Camboja foi grande! Antes de seguirmos para o sítio onde estamos a dar aulas ficámos um fim-de-semana na capital e foi alarmante termos várias pessoas locais a dizerem-nos para não sairmos durante a noite por ser perigoso as mulheres andarem de noite na rua. Não é fácil quando a primeira coisa que sentimos ao chegar a um país seja medo. Mas podemos dizer que passado um mês de cá estar já nos habituámos e nos apaixonámos pela cultura deste país. As coisas básicas como a alimentação e a higiene são, sem dúvida, o maior choque. Tudo é muito diferente e a comida é o que vou sentir menos falta, mas faz tudo parte da experiência e nunca na vida diria que iria ser capaz de comer arroz ao pequeno-almoço, almoço e jantar, mas aconteceu! É muito importante vir com mente aberta e estar disposto a experimentar coisas novas.

E onde é que estão hospedadas?

Laura: Vivemos com os pais do diretor que, apesar de não falarem inglês, são muito amorosos e fazem de tudo para comunicar connosco, ultrapassando assim a barreira linguística. Vivemos também com um miúdo de 9 anos que é incrível, está sempre feliz e tudo é um pretexto para brincar… é uma pessoa linda!

Inês: Não podia pedir melhor família de acolhimento, eles são para além de incríveis connosco. Sinto que faço parte da família.

Beatriz: Aliás, toda a gente aqui nos trata como se fôssemos família e isso é o que vou levar mais desta experiência, as pessoas!

Laura com alunas da Bright Life Foreign Language School , Camboja

Sentem que deixaram uma marca no Camboja?

Beatriz: As 3 sentimos que o nosso papel cá vai muito para além de ensinar inglês a crianças. Chegámos com isso em mente, mas após 1 mês e meio consigo ver que o que elas mais precisam é de alguém que lhes dê atenção e lhes mostre um novo mundo. Ensinámos inglês e foi das experiências mais desafiantes da minha vida, no entanto, sinto que é preciso que haja continuidade. É preciso mais gente vir para cá e é preciso mais gente com vontade de fazer aquilo que nós fizemos com estas crianças. Só desta forma o impacto poderá ser maior!

Beatriz com alunos da Bright Life Foreign Language School , Camboja

E qual foi a marca que o Camboja deixou em vocês?

Inês: Acho que falo por todas quando digo que este projeto foi, sem dúvida, o mais desafiante das nossas vidas. Vim para aqui para ensinar, mas sou eu que saio com a maior aprendizagem. A vida é muito simples, basta nós querermos que ela o seja. É assim que eles vivem. Eles são realmente felizes com o pouco que têm porque na realidade não precisam de mais, então não o exigem. Saio daqui numa versão melhorada, graças a estas pessoas. Estou-lhes eternamente grata.

Inês com alunos da Bright Life Foreign Language School , Camboja

E o que é que diriam a alguém que está a pensar fazer um voluntariado internacional?

Inês: Se tiverem vontade de realizar este projeto, não pensem duas vezes, façam-no! Claro que não é fácil, se fosse também não era desafiante e não valeria a pena atravessar metade do mundo para isso. Há cuidados que têm de ter, principalmente em relação à comida e às condições higiénicas, mas isso são situações completamente ultrapassáveis. Não deixem que o medo ou receio vos impeça de viver esta experiência. É única, e apesar de nós vos querermos explicar tudo, não conseguimos… Só sabe e só sente quem vive e eu aconselho-vos muito a viver esta experiência!

Do que é que estás à espera? Cria a tua história e atreve-te a vivê-la em aiesec.org.

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Author
Estudante de Gestão, trabalha com a AIESEC desde julho de 2018, atualmente na equipa de Customer Experience de Incoming Global Volunteer. Faz também parte da Entity Support Team publicando neste blog.