Voluntariado no Peru – as aprendizagens do Rodrigo

Durante 6 semanas o Rodrigo viajou para outro Continente com dois objetivos: contribuir para um ensino de qualidade num país com poucos recursos e sair da sua zona de conforto. E o que recebeu em troca foi mais do que ele poderia imaginar! Conhece a história de liderança do Rodrigo com a AIESEC no Peru.

O Rodrigo tem 19 anos e acabou o 2º ano de Direito na Universidade NOVA de Lisboa. Este verão decidiu passar 6 semanas diferentes a dar aulas de inglês a alunos dos 7 aos 12 anos no Peru, e hoje traz-nos o balanço dessa experiência até agora.

Olá Rodrigo, fala-nos um pouco sobre o teu projeto de voluntariado no Peru.

O projeto que estou inserido é no âmbito do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 4, Educação de Qualidade. A escolha do objetivo foi um ponto assente desde o início em que o projeto ainda era uma ideia embrião.

A organização Mi Pequeño Belen funciona, como aqui no Peru se chama, de “guardería”. Por outras palavras, acolhe crianças numa zona muito pobre de Lima, capital do Peru, enquanto os pais estão a trabalhar para sustentar a família.

A organização não tem staff suficiente, por isso o nosso trabalho é super diversificado! Desde remodelar a escola, a lecionar aulas de inglês, no final o nosso papel passa muito por ser “uma cara amiga”. Eu vim com a Bárbara, uma amiga minha. Só por parte da AIESEC, já fomos 11! Agora somos 4.

O facto de não teres nenhuma formação na área de Educação foi um obstáculo para ti?

Era algo que me assustava ao início… Mas não é necessário ter muita formação prévia para projetos assim! Apenas um bom nível de inglês, muita pré-disposição e originalidade!

E porque é que decidiste fazer um projeto ao abrigo desse Objetivo de Desenvolvimento Sustentável? E porquê com a AIESEC?

Ensinar é algo muito valioso! Queríamos fazer algo que nos colocasse diretamente em contacto com a cultura peruana. Estamos constantemente a aprender coisas novas com os miúdos e esperamos que eles transmitam o que lhes ensinamos.

A escolha da AIESEC foi também um dado adquirido, visto que fazia parte da organização já há um ano e meio quando me candidatei! Para além disso era a organização que oferecia a maior variedade de projetos em diversos países.

E porquê o Peru?

O Peru é um sonho meu já há algum tempo… Algo na mística inca, e o facto de ser um país com uma rica história milenar e com tantos recursos naturais para explorar, tanto deserto, como floresta, montanhas e praia… tem de tudo em geral! Foi o país que mais chamou por mim na América Latina.

Machu Picchu, Peru

Qual costuma ser a tua rotina?

A minha rotina diária consiste em acordar cedo pelas 7h/7h30, tomo o pequeno-almoço com a minha Host Family e vou para o meu projeto. A minha casa está bastante perto do trabalho por isso em 30/40 minutos já lá estou! Trabalho das 9h às 15h com outros voluntários, pelo que depois do trabalho costumamos ir visitar Lima, ou descontrair para algum sítio!

Ilhas flutuantes no lago Titicaca, Peru

Sentiste algum tipo de choque cultural?

Sim, o choque cultural afetou-me bastante nos dias iniciais, especialmente porque senti o reality check de como 2/3 do mundo vive! A minha Host Family vive numa zona muito pobre, fiquei chocado por presenciar essa realidade e, ao mesmo tempo, admirado por se terem disponibilizado voluntariamente para receber mais um voluntário na sua casa tendo em conta as condições em que vivem.

Como é que a tua Host Family te tem acompanhado ao longo destas semanas?

Na verdade, tenho duas Host Family por assim dizer (risos). A minha Host Family é bastante pobre e no meu tempo livre está a trabalhar. A Host Family da Bárbara convidou-me para várias atividades em família e acabei por ser “acolhido” por eles também (risos). Neste preciso momento estou com eles numa cidade no norte chamada Piura!

De que forma teres ficado numa Host Family foi uma mais valia para ti?

Acho que o facto de estar numa Host Family é incrível, por me permitir estar em contacto com a verdadeira vida peruana, numa casa peruana, com tudo o que isso acarreta! A música latina a todo o tempo, o clima de festa a toda a hora, a compaixão de todos os familiares… Para além disso, eles são como um airbag no início do projeto! Ajudam bastante na nossa integração e são como uma família cá!

E qual tem sido o teu maior desafio até agora?

Creio que são dois… A adaptação é sempre o maior obstáculo a ultrapassar! O segundo diria que é conseguir chegar às crianças, e agarrar a atenção dispersa que têm. Requer uma grande originalidade e esforço para fazer atividade diferentes para eles.

E o que é que ao longo destas semanas Peru tem-te ensinado?

Acima de tudo ensinou-me a ter uma maior compaixão. As pessoas cá encarnam aquela frase que “felizes são aqueles que o são com pouco”. Sair da nossa zona de conforto é a melhor maneira de potenciar o nosso desenvolvimento pessoal!

Muitos foram os momentos que ficaram registados através de uma câmara fotográfica, e o Rodrigo explicou-nos o significado de um deles:

Cima piscatória no Peru com as crianças peruanas

Felicidade perante o desconhecido diria! Foi no dia que cheguei a uma cima piscatória aqui no Peru! As crianças vieram todas a correr ter connosco como se não recebessem muitas pessoas. Pediram-me para tirar uma foto com eles e para irmos jogar futebol! Também pensavam que era primo do Ronaldo (risos). Fui “engolido” por todos os miúdos daquela vila!

Já passou mais de metade da tua experiência de voluntariado. Como é que isso te faz sentir?

Na verdade, já volto na próxima sexta feira… é uma sensação agridoce, porque sei que vou sentir saudades de tudo o que vivi aqui, todos os dias são uma aventura… Mas também tenho uma grande parte de mim que está ansioso por voltar a casa!

Montanha das 7 cores, Peru

E qual é a mensagem que queres deixar àqueles que estão a pensar fazer um voluntariado internacional?

É algo que aconselho a todos! Não é nada fácil, mas faz-nos crescer e acabamos por conhecer pessoas que levamos para o resto da vida!

Se também queres fazer um voluntariado internacional que te faz crescer, clica aqui e sabe como.

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Author
Estudante de Gestão, trabalha com a AIESEC desde julho de 2018, atualmente na equipa de Customer Experience de Incoming Global Volunteer. Faz também parte da Entity Support Team publicando neste blog.